sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Poema Podia...

Podia tentar imaginar 
como seria o nosso amor,
como seria o nosso toque, 
como seria o nosso desejo...se houvesse.


Podia tentar querer,
algo que nunca sonhei,
apenas...tentei entender
quando na verdade apenas imaginei.


Podia tentar sentir,
um amor que apenas foi sonho,
uma intensidade que apenas eu senti,
uma chama que só eu a acendi. 


Podia tentar ver,
que no amor tudo é imaginado,
no amor tudo é sentido,
mas verdade...é vivido?

Autor: Carlos Cordoeiro.
(Escrito ao som de The Weeknd - Ordinary Life). 

Poema Sinceramente

Sinceramente não imaginei,
nunca imaginei que fosse assim,
tudo isto que se sente
mas dificilmente se vê.


Sinceramente nunca compreendi,
nunca consegui ser mais,
nunca consegui ver mais,
por isso mesmo prendo-me em algo que talvez não exista.


Sinceramente acho que...
houve dias melhores,
talvez venham dias piores,
mas agora estou bem e contigo.


Sinceramente sei que a lágrima pode ser ácida,
que a dor pode ser cruel,
que a morte pode estar próxima,
por outro lado sei que escrevo e sinto. 

Autor: Carlos Cordoeiro.
(Escrito ao som de Billie Eilish - Wildflower). 

Poema Quarto

Naquele quarto o escuro foi calma,
naquele escuro o amor foi sossego,
naquele dia as horas foram lentas
e o olhar foi calmo mas decisivo. 


Naquele quarto estava frio,
um frio que me fazia estar longe,
um frio que me fazia sentir a inexistência,
um frio que nem dói apenas conforta. 


Naquele quarto o mais simples fazia-me feliz,
os risos enchiam o meu coração,
as palavras eram eternas...por momentos,
mas não senti que fosse sempre assim. 


Naquele quarto pude imaginar como seria...
pude sentir como seria se...
pude pensar como ia ser se...
mas agora preciso descansar.

Autor: Carlos Cordoeiro.
(Escrito ao som de Patrick Watson - Je te laisserai des mots). 


Poema Porquê? (Homenagem a Ângela Pereira)

Porquê?
Porque as flores já não são perfumadas?
Porque as árvores já não são grandiosas?
Porque o campo já não me fala?


Porquê?
Porque é que o dia parece mais triste?
Porque é que a noite parece mais negra?
Porque é que o dia parece mais saudosista? 


Porquê?
Porque é que sinto-me mais triste?
Porque é que sinto-me mais melancólico? 
Porque é que já não te imagino?


Porquê?
Porque simplesmente foste embora?
Porque simplesmente te levaram?
Porque teve que ser assim?. 

Autor: Carlos Cordoeiro. 

Poema escrito em memória de Ângela Pereira, 23 anos.
Lutava contra uma infeção fúngica, no IPO, Porto.
Poema escrito ao som de Patrick Watson - Je te laisserai des mots.